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Revolta de Carrancas - A maior de MG

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As fazendas Campo Alegre e Bela Cruz, que atualmente se localizam no município de Cruzília, serviram de palco ao trágico acontecimento que, no plano da história, representou um marco das insurreições escravas na província de Minas Gerais; no plano da memória dos contemporâneos, um massacre que muitos, se pudessem, apagariam da memória. Já para os escravos, representou uma tentativa desesperada e arriscada na busca da liberdade, com conseqüências também funestas para muitos deles.

A fazenda Campo Alegre pertencia ao deputado Gabriel Francisco Junqueira (Barão de Alfenas) e em 1839 contava com 103 escravos que, certamente, cuidavam do gado, dos porcos e do plantio das roças. Tratava-se de uma grande unidade escravista que se desenvolveu em virtude das conexões mercantis com a Corte. Em 1868, ano da morte do deputado, ainda era possível verificar os indícios de uma propriedade que deveria ter sido bastante expressiva na década de 30.

Entre os bens que foram arrolados, a escravaria ainda era considerável, nada menos que 92 cativos. A produção agrícola era bastante diversificada destacando-se vários alqueires de feijão, milho e arroz plantados.

Também havia um canavial e fumal. As benfeitorias da fazenda demonstravam que a produção agro-pastoril estava entre as atividades que fizeram a fortuna dos grandes fazendeiros da região. As atividades comerciais ligadas ao abastecimento podem ser inferidas a partir das benfeitorias localizadas nas fazendas Campo Alegre, Narciso e Boa Vista, onde havia referências à existência de casas para tropas e queijos, além de engenhos de serra, moinhos e monjolos, currais e casas de fumo.

Dentre inúmeros aspectos abordados, o que mais chama a atenção na Revolta de Carrancas foi a organização e sucesso do levante enquanto não houve repressão, além do número de escravos condenados à pena de morte, superando os da Revolta

do Malês, e a composição étnica variada dos participantes. A revolta contou com a participação de cativos de origens diversas: crioulos, minas, angolas, benguelas, congos, cassanges emoçambiques.

Dos 31 escravos indiciados no processo, nove (29%) eram crioulos e 17(54,8%) oriundos da África Central e dois minas. Constata-se a presença significativa de escravos falantes de bantu, considerados pela historiografia como mais acomodados e menos afeitos a revoltas, diferente dos "minas" e "nagôs". A diversidade étnica e cultural dos escravos da freguesia de Carrancas não impediu que eles se associassem, pelo contrário, revela a superação de tais diferenças para que o projeto de liberdade fosse alcançado, visto que escravos de diversas origens étnicas participaram do levante.

Autor: Marcos Ferreira de Andrade

Mais links:

História da Revolta de Carrancas na íntegra: http://www.acervos.ufsj.edu.br/site/fontes_civeis/revolta_carrancas.pdf

Cópia dos originais do processo de 1835 (Acervo de UFSJ): http://www.acervos.ufsj.edu.br/site/fontes_civeis/processo_carrancas/0001.html

 

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